Botinhas e Belírio

Sempre fui louca por coelhos! Tive a pequena Pretinha e o Arisquinho quando tinha 6 anos, em 2001. Não tenho fotos, mas os dois vivem na minha memória como se fosse ontem.

Passei um tempo sem nenhum animalzinho, afinal era criança/adolescente, e ter um animal é muita responsabilidade. Mais tarde, em 2012, meu irmão, que também era louco por coelhos, ganhou o Sapeca. O Sapeca se foi logo depois que meu irmãozinho virou estrelinha. 

Foi uma fase extremamente difícil, cheguei a dizer que nunca mais queria ter um bichinho. Mas em 2015, aquela paixão que eu tinha por orelhudos começou a reacender, passei um tempo pesquisando, convencendo meus pais que a princípio concordaram.

Em 2016 o Belírio surgiu na minha vida, estava indo ao cinema e ele estava numa agropecuária, na chuva, e ia ser vendido como alimento. Não pensei duas vezes e me coloquei na frente, comprando o Belírio, tão pequenininho e inocente. Foi amor logo que o vi, minha vida começou a ter mais sentido pois eu tinha outra vida para cuidar e amar. 

Porém Belírio cresceu e com isso a marcação de território e o cheiro forte, começaram a incomodar meus pais que, como disse antes, "a princípio concordaram". As brigas foram tantas, chegaram a pedir que eu doasse ele pra alguém. 

O resultado foi que eu resolvi sair de casa pois nunca em minha cabeça passou a ideia de doá-lo. Passamos poucas e boas juntos, eu com um salário de estagiária, pagando aluguel, mas super feliz de finalmente ter paz com meu principezinho.

As coisas foram melhorando, o papai Douglas ajudou muito, e chegou num momento em que pudemos dar uma irmãzinha ao Be: a Botinhas, que foi adotada.

Logo mais tarde, o papai Douglas veio morar conosco. Nos divertimos muito todos os dias, rimos das coisas que eles aprontam, dormimos abraçadinhos com eles. E o papai adora dividir uma bananinha, mesmo quando não estão merecendo muito! Hahaha.... 

Agora um complemento do papai: "Minha vida mudou porque somos contra gaiolas, então hoje sou eu que vivo dentro de um cercadinho, como trabalho em casa no computador, e eles adoram roer um fio, tive que me adaptar a isso. Imagino que é como ter um filho, eles são muito mais frágeis que nós e temos que fazer as coisas pensando no que fica melhor para eles e nos adaptar a isso. 

"Quem manda são eles!" 

Hoje eu sempre alerto quem quer ter um coelhinho: todos da casa devem concordar e estar ciente do cheiro, da bagunça, do comportamento que muda após a maturidade sexual. 

E se você quiser muito e na sua casa não estiverem de acordo, espere até que você tenha a sua casa. Ou saia de casa, mas não abandone seu companheirinho.